Como escolher de carreira: cresci e não sei o que eu quero ser. E agora?

Para encurtar o caminho desse processo de escolha e deixá-lo mais leve, o Além da Facul consultou especialistas em carreiras e pessoas que já enfrentaram esse processo para trazer dicas e orientações de como enfrentar esse processo de maneira assertiva. 

Decidir a carreira é um dos passos mais decisivos da vida. Costuma a deixar as pessoas apreensivas, seja para quem vai tomar essa decisão ou mesmo para aqueles que rodeiam quem escolhe. É um passo impactante, pois definirá a ocupação, as possíveis fontes de renda que, na maioria dos casos, será o que promoverá a manutenção de vida adulta e independente. Todos querem fazer uma boa opção logo de primeira e a tarefa não é tão simples, muito menos fácil. 

Nossa primeira recomendação é para que você não tenha pressa e não se pressione. A escolha é importante e, por vezes a agilidade não será determinante para um bom resultado. Obter muita informação para embasar sua escolha de forma isenta ajudará muito para a eficiência da decisão. Afaste-se das pressões, sejam elas suas ou de familiares, livre-se delas para escolher com mais isenção. Busque se afastar de julgamentos para listar prós e contras que sejam capazes de ajudar a tomar a decisão mais favorável para você. Veja então algumas dicas que podem nortear esse processo  de escolha de carreira.

1. Conheça-se

Saber o que gosta, no que você é bom e suas características são pontos fundamentais para escolher bem a sua futura carreira. Entender seus hábitos, se gosta de rotina, saber em qual ambiente prefere trabalhar, se é bom para atuar em equipe, o que gostaria de aprender e por quais processos está disposto a passar são aspectos que facilitam na hora de direcionar essa escolha.

Se você não tem respostas para essas perguntas, comece a colocar atenção no que gosta de fazer. Isso pode auxiliá-lo a entender suas características, conhecimento muito útil para escolher a profissão. Mesmo que aquilo que agrade esteja ligado a hobbies, busque entender o que dentro daquela atividade é o que atrai você. E assim, conseguirá achar profissões com aspectos que motivadores e que façam ir para aula numa sexta-feira à noite ou trabalhar numa segunda-feira chuvosa.

2. Tenha um propósito

Sua carreira deve estar alinhada àquilo que você quer para sua vida. É importante entender sobre as remunerações nas diversas áreas de atuação, mas é fundamental saber a quais propósitos o seu trabalho atenderá. Sua carreira será muito satisfatória caso ela se alinhe com o que você deseja para a sua vida. Por isso, é importante ter uma ideia, além do retorno financeiro previsto, de quais são seus objetivos, valores, princípios éticos e morais daquilo que você irá fazer, pois eles lhe motivarão para levantar todos os dias e trabalhar por aquilo.

Se seu objetivo é salvar animais, pode ser que a indústria química voltada para fertilizantes não seja o melhor lugar para você atuar. Mas talvez esse ambiente seja perfeito para trabalhar com pesquisas. Por isso, o quanto antes você entender qual a sua motivação de vida e quais aspectos atraem a cada uma das profissões buscadas, mais chances você terá de fazer uma boa escolha.

Embora pareça uma questão metafísica, é mais racional do que parece. Pesquisas mostram que cada vez mais cedo as pessoas estão despertando para questões como esta. A Cia. de Talentos, que realiza pesquisa anual sobre carreiras dos sonhos, divulgou que o que motiva as pessoas em suas carreiras são experiências que as possibilite avançar em direção a um objetivo, que tenha propósito e significado. Além disso, cerca de 87% dos brasileiros desejam trabalhar em empresas que são transparentes e alinhadas a propósitos, de acordo com a Accenture Strategy Global Consumer Pulse / 2018.

E, pela disponibilidade de informação, atualmente, contamos com cenário favorável para escolha de carreira e de trabalhos com propósito: empresas, escolas, faculdades estão buscando adequar suas culturas e aplicá-las na prática, uma vez que é uma demanda global crescente – tanto de colaboradores quanto de clientes – que se tenha um propósito claro. Logo, é fácil encontrar informações sobre profissões, empresas e profissionais disponíveis para falar do assunto.

3. Pesquise, pesquise, pesquise

Já que informação não é um problema, então, ao pensar numa carreira, pesquise! Use Google, seus contatos, os amigos de seus pais, tudo! Estude sobre a profissão, veja as principais áreas de atuação. Converse com pelo menos 20 pessoas que atuam nessa área e pergunte como é o dia a dia delas – o que elas fazem, o que gostam ou não da profissão. Se estão felizes, quais foram as realizações e as frustrações delas neste mercado.

Vá a eventos que reúnam profissões diferentes, faculdades e profissionais ajudem nesse processo. Escutar outras pessoas falando das suas experiências pode dar uma boa ideia do que virá pela frente nesse novo universo.

Procure informações sobre salários, área de atuação, região de empregabilidade, satisfações profissionais e o que mais você julgar necessário ou tiver curiosidade. Sua escolha é uma profissão que tende a desaparecer ou está em crescimento?

Aliás, muita atenção às profissões que tendem a não existir nos próximos cinco ou dez anos. Se esse é o caso da carreira que você tem em mente saiba que, certamente, a sua carreira terá um cenário completamente diferente daquilo que foi ou de como se apresenta hoje. É muito importante nesses casos você ter ou desenvolver flexibilidade e boa capacidade de adaptação para mudanças.

Depois de definida a profissão, pense nas áreas de atuação possíveis e qual é a que mais  atrai. Diante disso, você saberá quais habilidades técnicas que você deve aprender para ser bem sucedido na sua vida profissional. Você notará na sua busca que algumas carreiras exigem graduação, outras ensino técnico e – a grande maioria – atualizações, estudo contínuo e constante.

Esse processo de aprendizado, o qual você deverá percorrer para estar habilitado a atuar nesta profissão, faz parte da sua carreira. Em muitos casos, é um fator determinante para escolha da carreira.

4. Eu preciso fazer faculdade para ser bem sucedido? 

Para muitas carreiras, não só a faculdade é fundamental, mas também escolher qual instituição cursar faz total diferença para a carreira e para as oportunidades profissionais que aparecerão para você. Administração, engenharia e medicina são exemplos disso.

Em áreas técnicas como audiovisual, designer e estética por exemplo, o bacharelado é opcional – não há exigência de diploma para ser habilitado na profissão. É primordial que se busque ter domínio técnico das ferramentas que serão utilizadas no seu trabalho, o que em algumas áreas se dá mais na prática – por meio de estágios, cursos técnicos, livres ou complementares – que são tão ou mais importantes que a própria graduação na área.

“Sucesso na carreira você terá se dedicar no que você gosta”, afirma Lucas Iapichino, marketing manager da Link School of Business. “A probabilidade de alguém fazer bem aquilo que gosta é maior, pois a pessoa está naturalmente motivada àquela tarefa. Ela vai estudar mais para aquilo, vai procurar se empenhar nas tarefas, embora existam adversidades e dias ruins em meio a rotina de trabalho”, explica.

É importante levar em consideração que a realização profissional está mais ligada  à escolha de carreira com propósito alinhado aos seus objetivos do que com o curso que você irá fazer. Um curso superior proporciona vivências, conhecimento e amplia as possibilidades de atuação de quem cursa, seja pessoal ou profissionalmente. Contudo, pesquise sobre sua carreira e avalie se você terá mais aproveitamento se graduando ou se especializando tecnicamente para exercer aquela profissão.

Mercado financeiro, por exemplo, costuma recrutar profissionais graduados em Administração ou Engenharia e usualmente é recorrente a necessidade de certificações que atestam conhecimentos de determinada área.

Thiago Montelli, Sócio-diretor da TJ Produções, produtora audiovisual que faz o diversas campanhas publicitárias e acompanhamento cinematográfico da Cia. Teatral Os Improváveis, conta que, em feiras de profissões que é convidado a falar da profissão, muitos alunos se surpreendem com a sua resposta sobre o melhor curso. “Sempre oriento a pessoa a pesquisar qual área ela quer dentro do audiovisual – roteiro, câmera, fotografia, direção de arte, produção – e fazer um curso técnico (que leva de um a dois anos para concluir) e começar a trabalhar, fazer estágios. Assim, com o contato prático, ela entenderá o que de fato ela gosta e se quer permanecer neste caminho. Ela consegue se preparar – até mesmo financeiramente – e buscar a melhor formação para atuar nesse setor – usualmente em escolas fora do Brasil, que não necessariamente oferecem diplomas de graduação mas que darão conhecimentos imprescindíveis para uma atuação diferenciada nesse mercado em franca expansão”, conta.

5. Não existe receita de bolo

Sempre falamos isso aqui no Além da Facul e esse é mais um dos casos que a frase se aplica: não existe fórmula pronta, receita mágica ou um único caminho para descobrir sua real vocação e se sua escolha será definitiva.

Estamos oferecendo dicas e ações que funcionaram para muita gente embasar a sua decisão. E lembre-se: ela será a melhor que você pode tomar neste momento, neste contexto. Daqui a algum tempo, quando você vivenciar novas experiências, pode ser que essa escolha se confirme ou não. E tudo bem se você mudar de caminho – certamente, o aprendizado que você tirou disso foi fundamental para que conseguisse fazer outra escolha.

Por isso, teste as ferramentas, cheque as informações pesquisadas com muitos profissionais da área e acima de tudo, se permita fazer uma escolha nova, caso lá na frente descubra que esse não é o caminho melhor a ser seguido.

Breno Perrucho, criador do canal de finanças Jovem de Negócios, esteve em nosso quadro MBA Fora de Hora em Live do Instagram do Além da Facul, contou que queria fazer medicina. Teve seus estudos custeados por um parente e em seis meses percebeu que não era aquilo que ele queria fazer. “Comecei a valorizar muito os médicos porque entendi o que eles precisavam passar para se exercer sua profissão. Mas percebi que aquilo não era para mim, eu não conseguiria passar por aquilo”, conta. Depois disso, Breno ingressou em engenharia, graduação que ainda não terminou, mas o colocou em contato com empresa júnior e empreendedorismo – o que motivou e deu base fundamentada em vivência para que ele pudesse fazer seu próprio canal – falando de finanças, empreendedorismo e mercado financeiro, de uma forma leve para que o maior número de pessoas pudesse entender. 

Em fevereiro de 2020, Breno recebeu uma proposta de Tiago Nigro – do canal Primo Ricco – de compra de parte do seu canal. A negociação pagou 1 milhão de reais por 20% de participação no Jovem de Negócios, o que estabeleceu em 5 milhões de reais o valor da companhia. 

6. Visite empresas e faculdades

Nesse processo de escolha, informação é a base de tudo. Por isso, sempre que conseguir, visite as faculdades que pretende estudar. Muitas escolas fazem eventos de recepção de alunos, nos quais dizem como é o curso. Ainda apresentam o Campus e explicam um pouco do que vai pode ser esperado pelos próximos quatro ou cinco anos. Converse com os alunos de graduação, pergunte sobre o que é bom, os problemas que enfrentam, o que atendeu suas expectativas e que eles gostariam de saber antes de terem entrado lá.

Busque também visitar empresas nas quais você gostaria de trabalhar e veja como é a rotina. Observe o que os profissionais com a sua futura formação fazem, onde atuam, como é o trabalho deles. Pergunte o que gostam e o que mudariam, os principais desafios e qual o futuro da profissão na visão deles.

7. Estágio, vivência, aprendizados

Além da teoria, muita coisa você só aprenderá vivendo o dia a dia daquela profissão. A rotina do trabalho, as adaptações tecnológicas as mudanças do setor, a influência do mercado. Estando aberto às oportunidades de passar por experiências da sua profissão, certamente, você conseguirá aplicar aquilo que se prepara para fazer na sua carreira.

Por isso, busque cursos e instituições que proporcionem experiências necessárias para que você desenvolva habilidades necessárias para atuação na sua profissão. As vivências acadêmicas – iniciações científicas, intercâmbios, empresas juniores – são excelentes oportunidades para começar sua experiência no mercado, com outras línguas e ter suas primeiras experiências profissionais na sua área. Com rotinas diferentes das que você tem como aluno, essas atividades exigirão disciplina, organização de tempo e abdicação do seu tempo livre.

Estágios são muito proveitosos também. Remunerados ou não, podem lhe abrir portas para efetivações futuras, além de ter contato com sua a rotina da profissão enquanto ela efetivamente acontece. Caso sua faculdade permita e você encontre programas  de interesse – voltados para a área que você quer atuar, em empresas das quais você tem interesse em fazer parte do time –  vá em frente. Contudo, equilíbrio sempre. Lembre-se que você precisa concluir seu curso e encerrar o ciclo já iniciado.

Esses estágios podem ser contínuos, em contraturno escolar ou mesmo durante seu período de férias. Embora exija esforço, são experiências que renderão bons frutos na sua carreira. Além disso, é altamente recomendável que o estudante, ainda com as experiências da graduação, busque experiências que o aproxime da real vivência do mercado de trabalho.

8. Por fim, se prepare!

Resumindo: você tem ferramentas para buscar informações diversas e se testar para decidir qual o caminho a percorrer. Qualquer que seja sua escolha, exigirá preparação para processos seletivos e muito estudo nos próximos anos. Dedique-se. Tenha disciplina de estudo e seja empenhado naquilo que fizer. 

Busque se atualizar, vivencie as experiências necessárias para desenvolver as habilidades que sua carreira exigirá e busque sempre ter prazer naquilo que você fizer, embora algumas tarefas sejam desagradáveis. Certamente, se sua decisão foi por algo que gosta, você será muito bom no que faz, se manterá constantemente atualizado e terá muito sucesso na carreira.

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